Público
24 de Maio de 2001
Portus Cale Saúda
"Primeiro Passo" para Abandono da Ponte Pedestre
Por António Moura
Movimento promete
continuar "atento" depois das eleições autárquicas
O Movimento Portus Cale
entende que o adiamento da construção da ponte pedestre Porto-Vila Nova de Gaia
para depois ds eleições autárquicas deste ano, acordada entre os presidentes
das duas câmaras e noticiada em primeira mão pelo PÚBLICO, "constitui
claramente um primeiro passo para um futuro abandono deste projecto". Este
movimento, relembre-se, liderou uma campanha contra a localização da ponte, a
poucos metros do lado poente do tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís, e
promoveu inclusive um abaixo-assinado tendo em vista forçar os autarcas a
desistir da ideia.
Há uma semana, Luís
Filipe Menezes, presidente da Câmara de Gaia, escreveu uma carta ao seu
congénere portuense, Nuno Cardoso, defendendo que um "projecto
estruturante" como a ponte pedestre não deve tornar-se num "assunto
de disputa eleitoral". Em declarações ao PÚBLICO, deixou perceber que o
factor custo também era um problema. As câmaras do Porto e de Gaia esperavam
gastar 750 mil contos nesta travessia, mas as propostas apresentadas ao
concurso público para a sua construção situavam-se acima do dobro. A mais
barata ascendia a um milhão e meio de contos, o que levou os autarcas a
"pensar duas vezes".
"Embora de uma
forma indirecta, as razões apresentadas para adiar a obra não vêm senão dar
razão aos argumentos apresentados pelo Movimento [Portus Cale]", considera
esta entidade, adiantando que a própria afirmação de "não querer a obra
envolvida em disputa eleitoral" confirma a falta de apoio da empreitada
pelas populações de ambas as cidades. "Geralmente - defende -, ser ano de
autárquicas é argumento para apressar as obras, nunca para as adiar."
João Medina, um dos
porta-vozes do Portus Cale, declarou ontem ao PÚBLICO que "falta no
comunicado" do Movimento uma nota contestando o entendimento de Menezes
segundo o qual a obra devia ser mantida à margem do debate eleitoral. "As
eleições são exactamente para discutir as propostas dos candidatos",
sustentou Medina. De qualquer maneira, o Movimento garante que "irá
continuar atento, de forma a que, depois das eleições, (...), os governantes eleitos
não voltem à carga com a intenção de levar por diante esta malfadado projecto,
numa atitude autoritária (...)".
JN
23 de Maio de 2001
Ponte pedonal adiada por
orçar 1,5 milhões
CARLA SOFIA LUZ
Câmaras de Gaia e Porto
consideram que uma travessia tão cara não é prioridade. Obra já não avança este
ano
Foi o dinheiro que pôs travão
à ponte pedonal. O custo da travessia disparou e fez adiar a obra que iria
ligar as ribeiras do Porto e de Gaia. Da estimativa de 450 mil contos,
chegou-se, em poucos meses, a um orçamento de 1,5 milhões. E as prioridades
mudaram. A obra fica para o ano, se os futuros presidentes das duas autarquias
assim quiserem.
A decisão repousará nas
mãos do autarcas eleitos, pois o concurso público, lançado pela Empresa
Municipal de Gestão de Obras Públicas, revelou uma surpresa amarga. Só se
apresentaram dois concorrentes e a proposta mais em conta aproxima-se de 1,5
milhões de contos. Ou seja: ficou três vezes mais cara do que apontavam as
previsões iniciais.
"A estimativa
inicial era pouco menos de 450 mil contos. Lançou-se o concurso, tendo 650 mil
contos como base. É, com perplexidade, que vimos a proposta menor atingir um
milhão e meio de contos. Com um valor desta dimensão, mantém-se a prioridade? A
prioridade não é a mesma", realçou, ao JN, Nuno Cardoso, presidente da
Câmara do Porto, que tinha reservado 700 mil contos para pagar a sua parte na
obra. "Não sei se Gaia tinha esse valor também", acrescentou.
Diminuir os custos
No entanto, nunca antes
a razão económica havia sido levantada como justificação para o adiamento da
construção.
O presidente da Câmara
Municipal de Gaia, Luís Filipe Meneses, sustentou a decisão em "atrasos
inesperados" e na "proximidade do processo eleitoral autárquico"
numa carta, datada do passado dia 16 de Maio, dirigida a Nuno Cardoso e
divulgada pelo JN. Mas, de acordo com o presidente da autarquia portuense, esta
terá sido a razão mais forte para o adiamento.
"Dado as dimensões
que o projecto assumiu, foi decidido suspender o projecto para que os novos
presidentes lhe confiram a prioridade que entenderem. O concurso fica suspenso.
Deve ser pedida uma revisão do projecto para uma diminuição de custos",
sublinhou o edil. A revisão já está em marcha. O projectista Adão da Fonseca
voltou a concentrar-se na proposta, de modo a cortar no preço. No entanto,
dicilmente será inferior a um milhão.
"É uma
infelicidade. Quando se cria uma coisa, se acredita nela e se acha que pode ser
útil, é uma pena que fique parada. Mas parece-me pertinente que se faça um
compasso de espera para estudar o problema. Já estou a fazer uma avaliação de
custos", revelou Adão da Fonseca. Não tem dúvidas que é possível baixar o
preço, nomeadamente com um prolongamento do prazo de execução.
Local mais barato
Também o arquitecto
Virgínio Moutinho, um dos apreciadores da ponte pedonal, lamenta a suspensão do
projecto. "Vejo com pena, pois creio que seria a primeira de muitas
ligações entre as cidades. É provável que seja um adiamento 'sine die'",
salientou.
Já Manuel Correira
Fernandes aplaude a decisão de "dar mais tempo para a reflexão", até
porque considera que há "obras mais baratas e mais rentáveis, do ponto de
vista do funcionamento das ribeiras de Gaia e do Porto e do ordenamento do
turismo".
Tanto Cardoso como Adão
da Fonseca, discordam dessa posição. Para ambos, a localização actual é a mais
em conta e, por ser um dos pontos mais estreitos do rio, a mais cómodo para o
peão.
E Cardoso defende:
"Não se faz outra ligação pedonal que não seja aquela. Qualquer outra
ficará mais cara. Se tentarem encontrar outra solução, vai andar-se com um
debate que demorará séculos até decidir-se onde colocar a ponte".
Público
Quarta-feira, 23 de Maio
de 2001
Ponte Pedestre Entre o
Porto e Gaia Revelou-se Demasiado Cara
Por NUNO CORVACHO
Nuno Cardoso questiona
se valerá a pena mobilizar recursos para a obra
A ponte pedestre entre o
Porto e Vila Nova de Gaia revelou-se demasiado cara. Não é mais do que uma
questão de preço excessivo aquilo que, para o presidente da Câmara do Porto,
Nuno Cardoso, levou a que o processo relativo ao futuro atravessamento fosse suspenso
até depois das eleições autárquicas.
Tal como o PÚBLICO
revelou no passado sábado, a decisão de colocar a ponte em compasso de espera
fora concertada entre os autarcas das duas margens do Douro (Cardoso e Luís
Filipe Menezes) e constava de uma carta enviada por Menezes na semana passada
ao seu homólogo portuense. Em conversa com o PÚBLICO, Cardoso referiu que a
base de 750 mil contos fora completamente pulverizada pelas duas propostas que
acabaram por ser entregues, sendo que a mais barata atingia 1,5 milhões de
contos. Neste caso, não houve outro remédio senão "pensar duas
vezes". Para Nuno Cardoso, houve uma notória subavaliação de custos da
parte do projectista. O edil portuense não tem dúvidas quanto à qualidade do
projecto. Mas perante os preços agora postos em cima da mesa, põe em causa a
sua manutenção no topo das prioridades. Mesmo tendo em conta a expectativa da
obtenção para este efeito de verbas comunitárias e da canalização de algum
investimento do programa Polis, o edil portuense interroga-se: "É preciso
saber se valerá a pena mobilizar recursos para isto". E chega a desabafar:
"Se eu soubesse a quantia com que iríamos, afinal, ser confrontados, se
calhar não me teria envolvido nisto!".
Contactado pelo PÚBLICO,
o projectista Adão da Fonseca manifestou a sua perplexidade pelo inopinado
aumento de custos. "Mesmo em matérias correntes, chega a haver entre os
concorrentes uma discrepância de um para dez", refere. Onde se verificou
um erro maior foi na avaliação do preço do aço inoxidável, com acréscimos de
perto do dobro, embora garanta ter feito a sua avaliação após ter consultado
uma série de pessoas do ramo.
Na verdade, não há
explicação plausível para as discrepâncias. Sobram apenas hipóteses: podem os
empreiteiros ter optado por margens de lucro maiores, tendo em conta as
dificuldades da estação; podem ter reagido a dificuldades inesperadas da
própria obra... Seja como for, e partindo do princípio de que os políticos não
desistem do empreendimento, o concurso para a ponte terá de ser repetido.
Público
Sábado, 19 de Maio de
2001
Ponte Pedestre
Porto-Gaia Adiada para Depois das Eleições
Menezes garante ter a
concordância de Nuno Cardoso
O processo relativo à
construção da ponte pedestre entre o Porto e Vila Nova de Gaia deverá ser suspenso,
sendo retomado só depois das eleições autárquicas. É esta, pelo menos, a
intenção do presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, que garantiu ao
PÚBLICO ter uma solução já concertada com o seu homólogo do Porto, Nuno
Cardoso.
Numa carta enviada
anteontem ao edil portuense, Menezes alegou que um "projecto
estruturante" como a ponte pedestre não deve tornar-se num "assunto
de disputa eleitoral", já que, a manterem-se os trâmites já abertos, a
colocação da ponte deveria acontecer praticamente em cima do acto eleitoral ou
pouco depois. Isto, porque, na letra da missiva, o processo acabou por conhecer
"atrasos inesperados"; recorde-se que o concurso para a construção da
ponte pedestre foi aberto há poucas semanas e não foi ainda formalmente
constituída entre as duas autarquias da embocadura do Douro a empresa
intermunicipal que, em princípio, procederá à adjudicação da empreitada.
Acresce a este estado de coisas um outro engulho que Menezes revelou ao
PÚBLICO: os preços das propostas apresentadas ao concurso excederam largamente
a base estabelecida no caderno de encargos, o que obrigaria à abertura de um
segundo concurso e à consequente impossibilidade de ter a ponte instalada no
final do Verão, como inicialmente fora anunciado. "Não é legítimo que um
projecto como este obrigue a câmara que vier a seguir, sendo por isso
preferível reabrir o debate sobre a ponte em Janeiro", considerou Menezes,
sendo certo que, nessa altura, o seu interlocutor já não será Cardoso.
Não obstante várias
tentativas, não foi possível obter uma reacção do autarca portuense à
iniciativa de Menezes. Este, todavia, assegura ter a sua concordância,
rejeitando ainda qualquer relação entre a proposta de protelamento e a relativa
controvérsia suscitada pela ponte pedestre e que levou até à constituição no
Porto de uma associação, a Portus Cale, especificamente apostada em pressionar
os poderes públicos a desistir da ideia. "Houve até mais pessoas que se
manifestaram a favor. Dos que estão contra, só conheço o arquitecto Sá Fernandes",
referiu Menezes.
Se tudo indica que a
ponte irá ficar em compasso de espera, o mesmo acontecendo com o projecto de
ligar Porto e Gaia por teleférico, Menezes propõe, em compensação, que as duas
autarquias avancem o mais brevemente possível para a constituição da Associação
de Municípios Porto/Gaia e da empresa intermunicipal destinada à gestão de
projectos comuns. O edil gaiense defende que fiquem representadas nessa nova
entidade algumas "instituições privadas com grande peso institucional na
sociedade nortenha", como a Associação Empresarial de Portugal e a
Associação Comercial do Porto.
JN
Sábado, 19 de Maio de
2001
Ponte pedonal adiada
para depois das eleições
Meneses enviou carta a Cardoso a dizer que não quer a obra envolvida em disputa eleitoral
A construção da ponte
pedonal entre o Porto e Vila Nova de Gaia, cujo concurso público até já foi
lançado, vai ser adiada para um período posterior às eleições autárquicas de
Dezembro próximo.
Também para depois do
acto eleitoral deverá ficar qualquer decisão acerca da ligação por teleférico
daquelas duas cidades.
Essa é, pelo menos, a
vontade expressa pelo presidente da Câmara de Gaia, Filipe Meneses, numa carta
enviada ao seu homólogo portuense, Nuno Cardoso, e à qual o JN teve acesso.
"Fruto de alguns atrasos
inesperados e da proximidade do processo eleitoral autárquico, o
desenvolvimento destes projectos iria cair inevitavelmente em cima das
eleições, ou mesmo para além delas, tornando-se num assunto de disputa
eleitoral", sublinha o autarca gaiense, considerando "assisada"
a decisão de "protelar para além das eleições autárquicas as decisões a
tomar sobre os projectos" em que as duas autarquias trabalham
conjuntamente.
E como ambos os
projectos carecem da concordância das duas autarquias, mesmo que Cardoso se
mostre contrário (o JN tentou ouvi-lo, mas, até há hora de fecho desta edição,
não foi possível) os prazos serão mesmo adiados.
Público
Domingo, 15 de Abril de
2001
Pontes para Que Futuro?
Por José Manuel Lopes
Cordeiro
Se colocássemos um ponto de interrogação a seguir ao conhecido "slogan" da Porto 2001 "Pontes para o futuro" estaríamos, seguramente, a traduzir a preocupação de uma esmagadora maioria dos cidadãos deste país, e em particular da cidade do Porto, que se preocupa com o futuro do património nacional. Embora, como os leitores já terão adivinhado, nos estejamos a referir à Ponte Luís I e, também, à Alameda das Fontainhas, utilizamos aqui a expressão "património nacional" com toda a propriedade, pois ambas se encontram classificadas como tal, a primeira desde 1982 como imóvel de interesse público, e a segunda desde há três anos como conjunto de interesse público.
O que é verdadeiramente
surpreendente, no caso da projectada construção da ponte pedonal a onze metros
da Ponte Luís I, é não só a forma como este processo tem vindo a ser conduzido
- não se conhece a existência de qualquer preocupação em elaborar estudos com
soluções alternativas para a sua localização - e, principalmente, a obstinação
em levar a sua concretização para diante, apesar das cada vez mais numerosas
vozes que se opõem a tal desiderato, ou que exigem, simplesmente, um debate
público. Aliás, exceptuando os próprios proponentes - leia-se, o presidente da
autarquia e os vereadores do PS, dado que não estão em causa nem o projectista
nem a empresa construtora, que se limitaram a propor uma obra - ainda não
surgiu ninguém a apoiar abertamente a construção de uma ponte pedonal com
aquela localização, o que é bem demonstrativo da sua total carência de
argumentos e de justificação. Basta consultar os artigos recentemente
publicados na imprensa local e, nomeadamente, as razões apontadas no manifesto
do movimento Portus Cale, assim como os comentários que constam do seu
"site" na Internet ( http://www.ponte.com.sapo.pt ), para se
constatar que, num saudável exercício de participação cívica, os portuenses não
estão dispostos a deixar passar mais este atentado para com o património
histórico da cidade. Esta manifestação de autismo por parte dos putativos
responsáveis - infelizmente bastante comum em ano de eleições autárquicas -
constitui um inadmissível acto de prepotência, que ofende as tradições
democráticas dos portuenses e os princípios que devem nortear o relacionamento
da autarquia com a população da cidade, nomeadamente quanto à obrigação de
auscultar a sua opinião. O que está em causa é a decisão precipitada de
construir uma ponte naquele local, demasiado próximo da Ponte Luís I, atentando
contra a sua área de envolvimento - ainda que esta não esteja legalmente
definida -, e não contra a construção de uma nova ponte, mais a jusante, que é
naturalmente necessária e bem-vinda.
A polémica ponte pedonal
junto à Ponte Luís I não é, contudo, a única interrogação que se coloca quando
analisamos a situação do património histórico da cidade. Ainda que, neste caso,
o processo já se encontre em estado de execução, a nova Ponte do Infante irá
provocar sérias consequências na conservação de uma área histórica e com a qual
os portuenses entretêm uma particular afeição, a zona das Fontainhas.
A construção da Ponte do
Infante, que ligará a serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia, ao bairro e alameda
das Fontainhas - que também foi aprovada sem a existência de qualquer debate
prévio, apesar de um conjunto de personalidades da cidade o ter requerido -,
não só irá provocar a demolição de um conjunto de edifícios dos séculos XVIII e
XIX que integram a zona de protecção do centro histórico do Porto, classificado
pela UNESCO em 1996 como Património Cultural da Humanidade, como afectará
irremediavelmente a Calçada da Corticeira - já referenciada desde 1760 - e a
Alameda das Fontainhas, um notável exemplar da actuação urbanística de
Francisco de Almada Mendonça. Para além das demolições e alterações
urbanísticas - desvirtuando o objectivo inicial com que a Alameda das
Fontainhas foi projectada, o de constituir um local de fruição paisagística -,
a Ponte do Infante irá provocar a inevitável afluência de automóveis,
precisamente, a uma zona classificada patrimonialmente pela UNESCO e pelo
Estado português, com as nefastas consequências ao nível da poluição, do
congestionamento do trânsito, das dificuldades de estacionamento, ou seja, tudo
aquilo que é contrário à pretendida requalificação urbana que se anuncia estar
em curso.
Para além disto, a Ponte
do Infante irá estimular o acesso rodoviário à cidade, frustrando em grande
parte o objectivo de redução do fluxo de automóveis ao centro do Porto, que
esteve na construção do metro de superfície, o qual exigiu o
"sacrifício" do tabuleiro superior da Ponte Luís I, que irá ser
utilizado para a sua passagem. Trata-se, além do mais, de um caso de dupla
concorrência ao metropolitano, tanto como meio de transporte que serve um maior
número de cidadãos do que o transporte automóvel individual, como de clara
concorrência económica, pois, ao retirar-lhe utentes, está a diminuir-lhe as
potenciais receitas.
O futuro que a Ponte do
Infante nos reserva - ainda acreditamos que o bom senso prevaleça e que a ponte
pedonal venha a ser construída mais a jusante - não parece muito auspicioso.
Com menos precipitação e mais debate público existiriam, muito provavelmente,
outras soluções. Como recinto público e local de fruição paisagística, a
Alameda das Fontainhas encontra-se ameaçada. Dentro em breve já não será
possível observar, como referia um "Guia Histórico", publicado em
1864: "No pano de fundo desta deliciosa paisagem, erguem-se aos ares os
cimos coleados de sarranias distantes, e aos pés deriva-se o Douro mansamente.
É saudosíssima a vista deste quadro, em tardes serenas de Outono, ou em noites
claras de Estio, quando a Lua, espelhando-se no rio, o ilumina".
Presidente da Associação
Portuguesa para o Património Industrial e membro do "Board" do The
International Committee for the Conservation of the Industrial Heritage
Público
Domingo, 7 de Maio de 2001
Ponte Pedonal – Obra só
de Alguns.
Por João Medina
Infelizmente foi sem
grande surpresa nem admiração que vimos recentemente o Engenheiro Adão da Fonseca
defender publicamente a sua Ponte Pedonal. É no entanto preocupante a falta de
consistência e por vezes de verdade dos argumentos apresentados pela pessoa
que, como autor, é um dos responsáveis máximos por tal obra.
Referindo-se à justa
contestação à localização da ponte e à enorme indignação que abrange todos os
sectores da sociedade Portuense traduzida (também) no movimento Portus Cale,
associa-a numa atitude quase esquizofrénica e de todo ilegítima a um qualquer
episódio da construção da ponte do Infante. “Uma batalha foi perdida mas que se
terá de ganhar a próxima” – diz o Engenheiro, insinuando uma eventual ligação
entre os dois acontecimentos. Desengane-se! Como dizemos no segundo parágrafo
do nosso manifesto (leu-o?): “Deixamos claro que esta é uma iniciativa
independente que pretende, acima de tudo, salvar a Ponte D. Luís, impedindo a
construção da ponte pedonal no local proposto, a 11 metros do tabuleiro
inferior da Ponte de D. Luís.”
É dito que “A questão da
localização da ponte foi sempre abordada e explicada, tendo havido uma adesão
muito grande ao projecto...”, mais uma vez entra-se no campo da especulação. Em
todas as acções de rua do Movimento (nas Ribeiras do Porto e Gaia, no 25 de
Abril) temo-nos deparado com uma falta de informação generalizada, de que
alguns jornalistas são testemunhas, tendo o Movimento servido como veículo
informador. Perguntamos onde estão as câmaras municipais? Onde está o
projectista? Onde está a informação? O mais curioso (e que nos leva a duvidar
da referida adesão ao projecto) é que apenas 2 (duas) pessoas das várias
centenas contactadas se mostraram de acordo com a localização. Desde já
lançamos um repto à comunicação social: Porque não fazer um estudo de opinião
com a pergunta “Concorda com a construção de uma Ponte Pedonal a 11 metros da
Ponte D. Luís?”. Estamos convictos que o Sr. Engenheiro iria ficar
surpreendido.
É também referido quase
insultuosamente que “ fazem-se abaixo- assinados com base em informações que
chegam a constituir mentira”, quando as únicas informações apresentadas são
verdadeiras, confirmadas, copiadas na íntegra da imprensa e nunca foram
refutadas pelo engenheiro na correspondência que nos fez chegar. Como aparte
saliente-se que não é um abaixo-assinado mas um Manifesto. São também referidas
as suas tão queridas fotomontagens, que para que conste estavam presentes em
todas as acções do movimento. Mas mesmo assim fica a questão: Que credibilidade
terão estas quando são apresentadas apenas duas vistas, sendo uma delas do lado
das Fontaínhas? Tenha coragem! Porque não divulga uma vista da praça da
Ribeira? Não será porque a sua Ponte irá entrar em conflito com a D. Luís?
São depois apresentados
os 14 pontos que o Engenheiro considera importantes para argumentar a
construção da Ponte. Como já foi referido, é preocupante a falta de rigor e de
consistência, e por vezes de verdade dos argumentos apresentados pela pessoa
que, como autor, é um dos responsáveis máximos por tal obra.
O Ponto 1 “A Ponte
Pedonal não tapa a Ponte Luiz I” é desmentido pelo próprio no ponto 8 “ A Ponte
Pedonal proposta sobe acima do tabuleiro inferior da Ponte Luiz I” – se parte
de baixo e sobe acima do tabuleiro, é porque se cruza com este e
consequentemente o tapa. Quanto à fotomontagem, seremos todos cegos ou vê-se um
arco no local onde se deveria ver o tabuleiro de baixo?
No segundo argumento
diz-se” Os actuais passeios da Ponte Luiz I são perigosos e muito
desagradáveis” – já viu os do tabuleiro de cima?, que solução? Já viu a maioria
dos passeios renovados pela porto 2001? Já viu o viaduto de Massarelos? (aliás
uma boa solução para esta travessia). Porque nunca foram tomadas medidas? Um
barato corrimão por exemplo? Serão os dirigentes tão irresponsáveis? Diz-se
também que “o tráfego vai aumentar com a passagem para o Metro do tabuleiro
superior “. Estará o engenheiro a esquecer-se que o tráfego irá passar (até em
maior volume) pela “sua” ponte do Infante?
Em diferentes pontos são
apresentadas questões relativas à largura do rio e à dificuldade de construção
noutro local. Para o Movimento isto é uma subversão da ordem natural das
coisas. A escolha da localização de uma ponte deve começar pela decisão de
“onde a ponte é mais útil à população e ao desenvolvimento?”, e não por “onde é
que é mais fácil fazer uma ponte, mesmo que já lá exista uma?”. Por isso
apresentamos propostas alternativas.
Para não nos acusarem de
irrealistas, levantando os fantasmas da impossibilidade da obra (como o Sr.
Engenheiro faz) lembramos que existe na Câmara do Porto uma maquete apresentada
por Adalberto Dias para a travessia na zona de S. Francisco, que ligaria dois
locais mais densamente povoados e que
permitiria fechar um circuito em anel que passasse pelas duas ribeiras, pela
Ponte D. Luís e pela nova ponte, ligando a projectada zona de lazer do Cais de
Gaia e as suas muito visitadas Caves de vinho do Porto à Ribeira do Porto e ao
parque de estacionamento da Alfândega. Uma ponte aqui nunca seria uma barreira
visual à magnífica paisagem classificada pela UNESCO.
Arquitectonicamente uma
ponte em arco desvirtua o tabuleiro inferior que é plano. O aço inox não se
integra com o ferro utilizado na Ponte D. Luís. Uma ponte numa peça única
afronta o rendilhado cuidado da estrutura da centenária Ponte. São necessários
mais argumentos. Não duvidamos das qualidades inovadoras do projecto
apresentado, mas sim do seu confronto com a Ponte D. Luis, ex-libris da cidade
do Porto.
Finalmente, gostaríamos
de perceber melhor o argumento “O confronto da GRANDE Ponte (Luiz I) do final
do século XIX com a PEQUENA Ponte (Pedonal) do início do século XXI torná-las-á
ainda mais belas;”. Não duvidando da veia poética do Engenheiro, duvidamos sim
que este, como outros, seja um argumento válido quando se pretende ter uma
discussão séria sobre o assunto.
Pretendemos dar voz ao
maior número possível de cidadãos indignados face à prepotência demonstrada por
quem quer impor este projecto, habituado que está a decidir nas costas dos
cidadãos. Chamamos por isso a atenção para certas elites que em matéria de
obras públicas tem por obrigação questionar a legitimidade das chamadas obras
de regime, face às necessidades reais dos cidadãos. Com este Movimento
(internet - www.ponte.com.sapo.pt) mostramos claramente que existe uma
sociedade civil consciente e democrática que está atenta e dinâmica sendo capaz
de iniciativas próprias.
A solução adoptada será
irreversível e marcará definitivamente a cidade, por isso as câmaras devem
aceitar pôr à discussão e debate a questão da localização da ponte, não apenas o
projecto apresentado mas também novas alternativas possíveis. A decisão a tomar
terá de ser da responsabilidade de todos. Ela deve ser colectivamente
ponderada, e não se contentar em ser apenas a obra de alguns.
Público
Segunda-feira, 30 de Abril de 2001
Ponte Pedonal: Opiniões
Ou Mal-dizer ?
Por António Adão da
Fonseca*
A cidade do Porto tem um
carácter nobre que se manifesta não só na sobriedade dos seus edifícios mas
também na lealdade e verticalidade da sua população. Uma população
simultaneamente liberal e solidária, mas também individualista e pouco
participativa. Assim sendo, é com júbilo que se encara o recente aparecimento
de grupos e movimentos de cidadãos a interessarem-se pela sua "urbe"
de uma forma activa, exigindo rigor e qualidade em todas as intervenções
urbanísticas que, especialmente neste ano de 2001, se estão a verificar por
toda a cidade.
Claro, toda e qualquer
intervenção terá o apoio e aprovação de uns em simultâneo com a discordância de
outros. No sistema suíço, a bonomia de quase tudo é referenciada, mas tal não é
a nossa tradição e não estou certo dos resultados de tal opção. Se há sempre um
tendência conservadora da parte de quem está bem, então dir-se-á que a maioria
em Portugal estaria sempre a favor da mudança, pelo menos nas questões
urbanísticas. E tal como em qualquer outro acto da democracia, o resultado será
tanto mais correcto quanto maior for o conhecimento e informação de quem se
exprime ou vota.
Ora, infelizmente,
conhecimento e informação têm sistematicamente faltado em muitas opiniões sobre
a Ponte Infante D. Henrique, já em construção, e sobre a Ponte Pedonal,
presentemente em fase de concurso da empreitada. Nalguns casos, estranha-se até
a total falta de interesse e cuidado em obter primeiro alguma informação
fundamental que evitasse o escreverem-se asneiras que revelam ignorância,
embora rebuscadas com laivos de cultura. Por exemplo, sugerir que a Ponte
Infante D. Henrique deveria desembocar na Avenida Duque de Loulé significa, no
mínimo, que ou não se sabe onde fica tal avenida ou que não se reparou que na
outra margem do rio Douro está o Mosteiro da Serra do Pilar. E admitir que se
está a sugerir um túnel por baixo do Mosteiro é hipótese que não se pode sequer
contemplar.
Mas a Ponte Infante D.
Henrique está já em construção e agora deseja-se apenas que a obra decorra sem
acidentes. Com a construção do arco tornar-se-á patente a esbelteza e
transparência da ponte, sendo já hoje possível confirmar que o Passeio das
Fontaínhas continuará a existir, salvando-o da "agonia" em que se
encontrava. E que depressa sejam demolidos os pilares provisórios, que alguém
menos avisado poderá pensar que são para ficar.
Alguns dirão que uma
batalha foi perdida mas que se terá de ganhar a próxima, conseguindo evitar a
construção da Ponte Pedonal. Como não foi feito um referendo "à moda
suíça", cujo resultado teria de ser aceite como acertado, é totalmente
legítimo procurar que tal construção não se faça. Mas certamente se concorda
que tal tem de ser feito cumprindo com todas as regras éticas, em particular
garantindo que está disponível toda a informação necessária a uma opinião
livre, consciente e fundamentada.
Pois tal não se tem
verificado. E embora possa haver, e afinal há sempre, críticas em todas as
opções e procedimentos, a verdade é que desde o início do projecto houve por
parte dos municípios do Porto e de Gaia uma preocupação constante em ouvir
atentamente toda e qualquer sugestão ou discordância, quer por contacto
individual quer por via de várias apresentações do projecto, procurando
melhorar a solução a construir. A questão da localização da ponte foi sempre
abordada e explicada, tendo havido uma adesão muito grande ao projecto e um
entendimento das razões da localização adoptada.
Certamente se pode
afirmar que todos são a favor da criação de boas condições de ligação para
peões entre as duas Ribeiras, do Porto e de Gaia, tornando a travessia
agradável, segura e digna do local, sem esquecer que por baixo está um belo e
poderoso rio.
Também será
inquestionável que todos desejam apenas garantir que a solução é bem pensada,
bem amadurecida e bem fundamentada. Mas pretender que assim seja procurando
mobilizar cidadãos a quem não é facultada uma informação completa, tem de ser
rejeitado e lamentado.
Surpreendentemente,
solicita-se apoio e fazem-se "abaixo- assinados" com base em
informações que chegam a constituir mentira, tal é a distorção da realidade.
Não só não é disponibilizada qualquer imagem do projecto em concurso como não
são apresentadas as razões a favor, que obviamente seria fácil obter. Após a
confrontação de opiniões se poderia então pedir apoio e mobilizar grupos de
cidadãos contra ou a favor do que quer que seja.
Insiste-se ser
totalmente legítima a oposição e discordância do projecto. Mas, por favor,
atente-se às duas fotomontagens da Ponte projectada e às considerações
seguintes:
1 - A Ponte Pedonal não
tapa a Ponte Luiz I (ver fotomontagens);
2 - Os actuais passeios da
Ponte Luiz I são perigosos e muito desagradáveis; o tráfego vai aumentar com a
passagem para o Metro do tabuleiro superior e tem de haver sempre algum passeio
de ambos os lados, para protecção da própria estrutura da ponte em relação aos
veículos e para serventia de conservação dessa mesma estrutura; como mais 20
centímetros num só passeio não melhora o existente, uma tal intervenção não tem
qualquer interesse;
3 - A colocação de
passeios do lado de fora da estrutura do tabuleiro seria um atentado à própria
ponte, alterando as suas características formais e estéticas; as estruturas de
tais passeios seriam sempre bem visíveis e seriam visualmente destrutivas da
Ponte Luiz I;
4 - Imediatamente a
jusante do local onde existiu a Ponte Pênsil, e se pretende construir a Ponte
Pedonal, o rio alarga de 156 metros para 200 metros, com 300 metros em frente à
Igreja de S. Francisco. Simultaneamente, a cota das margens baixa em ambas as
margens, criando problemas de difícil solução estética e funcional no seu acesso,
embora do lado do Porto volte a subir até ao largo em frente à Igreja de S.
Francisco;
5 - Vãos de 200 metros
são, em termos de estrutura resistente, duplos de vãos de 150 metros; e os de
300 metros são quádruplos; a Ponte Pedonal passaria a ser, agora sim, uma
grande estrutura, ou então teriam de se construir vários pilares dentro do rio;
6 - Mas quem se atreverá
a impedir a navegabilidade de barcos alguns com mastro até à frente das
Ribeiras do Porto e de Gaia? Actualmente, o limite está na Ponte Luiz I, e a
localização proposta para a Ponte Pedonal não altera quase esse limite; para
assegurar o acesso a veleiros, mesmo que apenas de médio porte, a cota mínima
da ponte teria de ser superior a 30 ou 40 metros; e a solução da ponte levadiça
não é aceitável, especialmente por razões estéticas; e não é prática, por
obrigar a custos de manutenção elevados e por a tendência passar a ser a de não
deixar passar os barcos; e obriga à execução de pilares dentro do rio;
7 - Mas uma qualquer
ponte, já com presença forte, nos locais que têm sido propostos em alternativa
seria uma barreira, essa sim, inaceitável na visão de uma margem para a outra;
8 - A Ponte Pedonal
proposta sobe acima do tabuleiro inferior da Ponte Luiz I, permitindo a
"leitura" de todo esse tabuleiro;
9 - A zona central da
Ponte Pedonal é um verdadeiro miradouro para ambos os lados e para a própria
Ponte Luiz I, a qual terá uma presença "enorme" e magnífica na
grandeza e nos pormenores da sua estrutura metálica;
10 - O confronto da GRANDE
Ponte (Luiz I) do final do século XIX com a PEQUENA Ponte (Pedonal) do início
do século XXI torná-las-á ainda mais belas;
11 - Uma bela Ponte
Pedonal, que constitua um trajecto agradável, terá uma utilização muito
acrescida;
12 - Os melhoramentos que
estão a ser introduzidos nas Ribeiras vão levar a um aumento imenso de pessoas
a atravessar o rio Douro;
13 - Esta Ponte Pedonal
está no local certo; outras pontes deverão seguir-se, mas talvez não já apenas
para peões, até porque, por razões de vibração, as suas dimensões transversais
poderão então ter de ser bem maiores.
14 - Os arquitectos
responsáveis pelas renovações das duas Ribeiras aderiram ao Projecto.
Mas certamente que a opinião
final a favor ou contra depende de muitos e variados factores, sendo um dos
mais importantes o das prioridades face a tantas obras e intervenções
necessárias. Mas o sucesso financeiro, para ambas as cidades, que resultará
desta construção, começará a ser evidente já no próximo Verão, ao poderem-se
aproveitar as melhorias importantes introduzidas na Ribeira do lado de Gaia.
JN
Data:06-04-2001
A ponte pedonal
Será que todas as
dúvidas estão dissipadas?
Manuel Correia Fernandes
A ponte pedonal volta a
atacar! Desde que a ideia foi lançada, muito poucas vozes se apresentaram a
defendê-la e muitas outras se manifestaram em sentido contrário. E na falta de
uma verdadeira discussão pública que nunca houve a coragem de lançar - e
percebe-se muito bem porquê ... -resta o significado do silêncio das
"autoridades" e a expressão pública dos testemunhos que ficaram por
aí espalhados nas páginas dos jornais. Como o critério das "maiorias
silenciosas" nunca foi um critério democrático, e muito menos a expressão
do exercício da verdadeira cidadania, o caminho só pode ser um: o do combate em
campo aberto.
No argumentário agora
reeditado, nada de novo: "De certeza que quem reclama contra a nova ponte
não passa por ali"; "qualquer pessoa pode apanhar com um
retrovisor..."; "porventura as pessoas deveriam ser impedidas de
passar ali a pé..."; "este foi um projecto desenvolvido em conjunto
pelo Porto e por Gaia...". Como se vê, são fortíssimos os argumentos a
favor desta originalidade mundial! São mesmo irrefutáveis. Isto é: só pode ter
opinião quem passa por ali (e quem não passa saiba que pode vir a ser impedido
de o fazer... esta irreprimível vontade de proibir!); o verdadeiro perigo é o
dos retrovisores (um novo e desconhecido factor de insegurança urbana...); o
trabalho conjunto do Porto e de Gaia que, certamente, por ser único na história
das duas cidades, merece bem a benevolência dos contribuintes! Enfim, tirando a
história dos retrovisores e da ameaça das proibições, nada de novo!
Com um pouco mais de
novidade e de "sumo" surge, porém, a "sentença" do IPPAR:
"o projecto revela grande qualidade e uma relação cuidada com o sítio, com
impactes positivos na reabilitação de ambas as zonas ribeirinhas". Antes
de mais registe-se com alívio que, desta vez, o IPPAR conseguiu não ficar de
fora da carroça! Imagine-se o que seria se a obra já estivesse adjudicada e o
IPPAR ainda estivesse a analisar o fenómeno, embora isto só aconteça quando os
fenómenos andam depressa de mais, o que não é o caso! Por outro lado, também
tudo é mais fácil quando tudo joga a favor como agora: "o projecto revela
grande qualidade" e os "impactes são positivos". Lapidar! E nem
são precisas grandes justificações. Vê-se logo. O resto é paisagem, isto é,...
irrelevante. Vozes contra? Movimentos de cidadãos? Património Mundial? UNESCO?
Controlo "a posteriori"? Por amor de Deus ... deixem fazer!
Vejam lá se os
"taliban" quiseram saber da UNESCO para alguma coisa! A
"limpeza" das estátuas do buda era mesmo ... "para se
fazer".
E, de resto, as
"autoridades" estão fartas dos "velhos do Restelo" ... e,
como sabemos, em Lisboa não é assim, tirando, claro está, o caso triste do
elevador do Castelo em que João Soares caiu na asneira de se por a discutir
antes de fazer e foi o que se viu: ficou sem o brinquedo! Bom, para além do
mais, "trata-se de fazer um novo atravessamento numa zona já construída e
a cidade já tem muitos!..."! E isto, ainda que incompreensível, terá sido
judiciosamente "acrescentado" por uma fonte do IPPAR! Definitivo.
E já agora que também se
falou de segurança: já alguém se questionou sobre a adequabilidade desta
solução face ao comportamento do rio em tempo de cheias e de fortes correntes?
É que, se a memória me não falha, pelo menos uma vez, aqui há alguns anos, e
exactamente em tempo de cheias, foi aventada a hipótese de "cortar" o
tabuleiro de baixo para salvar a ponte. Será que este cenário, ou outro
idêntico, foi também equacionado?
E alternativas, há? Claro! Porquê tanto silencio em torno das alternativas? Alguém já explicou porque é que a construção de passerelles exteriores às vigas que suportam o tabuleiro inferior como, de resto, já foi proposto há bem pouco tempo, não é solução? Já alguém demonstrou não ser esta solução melhor, mais barata e mais respeitadora da ponte e do sítio? Todos sabemos que nunca ninguém se dignou explicar isto e tudo o resto. E, que diabo, já é tempo...!
Quinta-feira, 5 de Abril
de 2001
Por RITA SIZA E NUNO
CORVACHO
Cardoso reage a
movimento de cidadãos
Abaixo-assinado contra o
projecto não demove o autarca do Porto, para quem a ponte é "necessária"
devido à insegurança oferecida pelo tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís
O presidente da Câmara
do Porto, Nuno Cardoso, expôs ontem os seus argumentos a favor da construção da
ponte pedonal em aço, entre o Porto e Gaia, para cuja obra foi já lançado
concurso no final do mês passado. Numa reacção ao movimento de cidadãos
(autodenominado "Portus Cale") surgido há poucos dias contra a
construção daquele atravessamento, que ficará a escassos 11 metros do tabuleiro
inferior da Ponte de D. Luís, o autarca avisou que o projecto "é para se
fazer". E que essa nova obra de arte é necessária por causa dos problemas
de "falta de segurança" que o velho tabuleiro da D. Luís cria aos
seus utentes. "De certeza que quem reclama contra a nova ponte não passa
ali", argumentou o edil, acrescentando que essa travessia a pé "é uma
aventura".
"O tabuleiro de
baixo é perigoso, porque o passeio é muito estreito e qualquer pessoa pode
apanhar com um retrovisor de um dos muitos veículos pesados que utilizam aquela
travessia", considerou Cardoso. Questionado sobre a real dimensão desse
problema, disse mesmo que "porventura as pessoas deveriam ser impedidas de
passar ali a pé...".
Mas o autarca acredita
que o problema será ultrapassado quando o trânsito pedonal entre as duas margens
passar a ser efectuado pela nova travessia - "um projecto de grande
qualidade e muito inovador do ponto de vista tecnológico", observou.
"Tenho a perfeita noção de que a adesão àquela obra de arte será unânime,
apesar de as pessoas estarem agora a levantar argumentos", referiu.
Recorde-se que a ponte, projectada pelo engenheiro Adão da Fonseca, será
constituída por uma só peça de aço inoxidável (será, aliás, a primeira ponte no
Mundo a ser construída com esse material) e terá 155 metros de comprimento.
O edil disse que fica
"feliz" quando "a cidade se movimenta e expressa sobre o que
fazemos", mas não se mostrou disposto a aceitar o repto do "Portus
Cale", que solicitou a realização de um amplo debate público sobre a referida
construção. "Este foi um projecto desenvolvido em conjunto pelo Porto e
por Gaia, teve um debate significativo, está em concurso público e é para se
fazer", declarou, peremptório, Nuno Cardoso. Está previsto, aliás, que a
abertura das propostas concorrentes aconteça em inícios de Maio.
Quem não desarma são os
detractores da ponte pedonal, que já recolheram cerca de 500 assinaturas. Raul
Pinheiro, professor no Instituto Superior de Engenharia do Porto e um dos
principais subscritores da iniciativa, disse ao PÚBLICO que o movimento
"está em expansão", sendo o seu objectivo último impedir a construção
da ponte. "Vamos tentar levar a reivindicação às assembleias municipais do
Porto e de Gaia", prometeu. Na sua opinião, a nova ponte de aço, além de
"destruir a estética da Ponte de D. Luís", acaba por ser
"redundante" em relação a ela, dado que, apesar de as "condições
não serem as ideais", admitiu, continua a ser possível fazer as travessias
pelo tabuleiro inferior. A eventual colocação da nova ponte noutros locais,
"amarrando-a" junto à Praça da Ribeira ou à Igreja de S. Francisco,
seria para ele mais aconselhável. Refira-se que dois dos argumentos para a tão
criticada localização se prendem com a maior estreiteza do rio e ainda com o
facto de se aproveitarem os pilares da Ponte Pênsil que ali existiu no século
XIX; o "desvio" da ponte para zonas mais largas do rio iria encarecer
substancialmente o projecto e ainda implicar soluções de engenharia mais
pesadas. Mas Pinheiro contrapõe: "Com o argumento de se pouparem uns
milhares de contos, não se justifica construir uma ponte que, no fundo, não vai
servir para nada".
Outro engenheiro, António Vasconcelos, que há alguns meses escreveu no PÚBLICO um artigo contra a ponte e quer juntar o seu nome ao abaixo-assinado, lamenta ainda a "falta de transparência" que terá rodeado este processo. E invoca o exemplo de Lisboa: "Se lá acabaram por recuar no projecto do elevador [do Borratém], aqui os autarcas não podem agir de forma autocrática".
Quinta-feira, 5 de Abril
de 2001
O projecto da ponte
recebeu já luz verde definitiva do Ippar (Instituto Português do Património
Arquitectónico). Em parecer positivo emitido no passado dia 13 de Março, pode
ler-se que "o projecto revela grande qualidade e uma relação cuidada com o
sítio, com impactes positivos na reabilitação de ambas as zonas
ribeirinhas". A excessiva proximidade à Ponte de D. Luís não parece ter
impressionado os técnicos do Ippar. "Trata-se de fazer um novo
atravessamento numa zona já construída, e a cidade já tem muitos...",
referiu ao PÚBLICO uma fonte daquela entidade. Por outro lado, apesar de se
tratar de uma área classificada como Património da Humanidade, a UNESCO não tem
de ser ouvida nem exerce uma tutela vinculativa sobre qualquer nova construção
que lá se queira implantar. O que não significa que não possa haver um controlo
"a posteriori" ou que a entidade não possa ser levada a agir por
iniciativa dos cidadãos...
Quinta-feira, 5 de Abril
de 2001
"É um projecto de
grande qualidade e muito inovador do ponto de vista tecnológico."
Nuno Cardoso, presidente
da Câmara Municipal do Porto
"Com o argumento de
pouparem uns milhares de contos, não se justifica construir uma ponte que não
vai servir para nada."
Raul Pinheiro,
subscritor do movimento "Portus Cale"
Data:05-04-2001
Nuno Cardoso comentou,
ontem, a crescente onda de contestação ao projecto da ponte pedonal que irá
ligar as ribeiras do Porto e de Gaia no que concerne à sua futura localização
(a 11 metros da ponte de Luís I). "Acho bem que haja pessoas que levantem
problemas e sugiram debate. Eu serei o primeiro a participar nesse
debate", afirmou o autarca, reiterando que a travessia "é para se
fazer, porque se trata de um projecto emblemático e inovador, uma obra de arte,
que vai contribuir para o desenvolvimento turístico do Porto e de Gaia".
Cardoso reconheceu que a
futura ponte pedonal vai colmatar a pouca segurança para os peões que
representa a ponte de Luís I.
"É uma aventura
atravessar o tabuleiro inferior a pé. O passeio é muito estreito e o grande
tráfego de pesados faz com que as pessoas possam ser colhidas, a qualquer
momento, pelo retrovisor de uma viatura".
O Movimento Portus Cale mostra
surpresa pelas afirmações de Nuno Cardoso sobre a segurança do atravessamento
da ponte D. Luís por peões e uma profunda indignação por isso servir de
argumento para legitimar o emparedamento da ponte D. Luis.
1 - Se a ponte é tão
insegura, como é que ainda é permitida a passagem a peões. Ou é uma grande
irresponsabilidade ou então este é um fraco argumento.
2 - Se a ponte é tão
insegura, como é que nunca foram tomadas medidas para aumentar a sua segurança
(por exemplo um simples e barato corrimão). Mais uma vez, ou é uma grande
irresponsabilidade ou então este é um fraco argumento.
3 - Como justificar que
a ponte é insegura se a largura dos passeios é maior do que em muitas das ruas
do Porto (inclusivé de algumas recentemente remodeladas) e não é tomada nenhuma
medida em relação a isto.
4 - Sendo os passeios do
tabuleiro superior mais estreitos, irá Nuno Cardoso propor uma ponte pedonal a
essa cota?
5 - Quantos incidentes
envolvendo a segurança de peões já existiram? Serão em número que justifique
tal obra?
6 – Também aqui há
alternativas que não ferem a paisagem, como a transformação dos dois passeios
existentes num só, mais largo, do lado da ribeira. Ou, porque não fazer um
passadiço pelo lado exterior da ponte?
Estamos conscientes que
as condições de travessia neste momento não são as ideais mas isso não
justifica tudo.
Queremos a discussão do
projecto e apresentamos alternativas. Não podemos aceitar a atitude prepotente
de fazer desta ponte, a obra de alguns mesmo que seja contra tudo e contra
todos.
18:08
4 de Abril de 2001
O presidente da Câmara
do Porto, Nuno Cardoso, explicou hoje a necessidade de se construir uma ponte pedonal
junto à ponte D. Luís, pois a travessia a pé é «uma aventura». A decisão do
edíl tem sido contestada, principalmente pelo Movimento Portus Cale.
Nuno Cardoso explicou
hoje a necessidade de se construir uma ponte pedonal junto à ponte D. Luís. A travessia
tem sido muito contestada mas, para o presidente da Câmara do Porto «passar na
Ponte D. Luís, no tabuleiro de baixo, é uma aventura para a segurança das
pessoas».
Descrevendo aos
jornalistas as condições actuais da ponte, em questão, Nuno Cardoso frisou que
«o passeio é muito estreito e as pessoas passam constrangidas, sempre a tentar
ver se vão ser colhidas pelo retrovisor de um veículo. Neste momento, como não
há outra forma de passar muita gente precisa de passar nessas condições».
Para Nuno Cardoso a
falta de segurança contra os peões na Ponte D. Luís justifica então esta ponte
pedonal que vai ligar as ribeiras do Porto e de Vila Nova de Gaia.
Apesar das justificações
do presidente da Invicta está a emergir um movimento, denominado «Portus Cale»,
que contesta a localização da construção da nova ponte pedonal.
Data:04-04-2001
Grupo de cidadãos quer
afastar a nova travessia pedonal do tabuleiro inferior da Ponte de Luís I
VIRGÍNIA ALVES
A localização da futura
ponte pedonal entre as ribeiras do Porto e Gaia, a apenas 11 metros da Ponte de
Luís I, tem contestatários. Um grupo de cidadãos decidiu unir-se em torno da
ideia de "salvar a Ponte de Luís I, impedindo a construção da ponte
pedonal no local proposto". Este manifesto tem página na Internet, com o
endereço "www.ponte.com.sapo.pt".
Os signatários do
manifesto querem contribuir para a realização de uma discussão plural,
apresentando outras alternativas, para que "a decisão a tomar seja de
responsabilidade de todos e não se contentar em ser apenas a obra de
alguns".
Pretendem chamar a
atenção para "certas elites que, em matéria de obras públicas, têm por
obrigação questionar a legitimidade das chamadas obras de regime, face às
necessidades reais dos cidadãos".
A razões apontadas
contra a localização são várias: crime patrimonial ("a Ponte de Luís I é
um dos maiores símbolos do Porto, não se pode deixá-la tapar e esconder");
não serve os cidadãos ("não foi pensada para os portuenses ou
gaienses"); e desperdício de recursos ("não será a melhor forma de
aplicar os dinheiros públicos").
O manifesto também
apresenta alternativas, como a ligação entre a Praça da Ribeira e a Praça
Sandeman, em Gaia, ou mais para jusante, na zona da igreja de S. Francisco, que
permitiria fechar um circuito em anel que passasse pelas duas ribeiras, pela
Ponte de Luís I e pela nova ponte, ligando a projectada zona de lazer do Cais
de Gaia à Ribeira do Porto e ao parque de estacionamento da Alfândega.
Entretanto, apesar da
contestação foi lançado, no início de Março, o concurso internacional, com
preço base de 750 mil contos, para a execução do projecto do engenheiro Adão da
Fonseca. No próximo dia 24, será conhecido o vencedor do concurso.
A nova travessia do
Douro será custeada pelas câmaras do Porto e Gaia e trata-se da primeira
iniciativa da futura empresa intermunicipal "PG - Portogaia,
Desenvolvimento Intermunicipal, EIM".
A ponte pedonal terá 160
metros de comprimento e 5,60 metros de largura. Com estrutura em aço
inoxidável, suportada nos pilares da Ponte das Barcas, o piso será de madeira.
Aquando da apresentação
do projecto, esta já não era uma obra pacífica. Embora muitos tenham elogiado o
desenho de Adão da Fonseca, muito arquitectos e urbanistas da cidade,
provavelmente agora signatários do manifesto, rejeitaram a localização.
Quarta-feira, 4 de Abril
de 2001
Cidadãos Portuenses
Opõem-se a Ponte Pedonal
Um grupo de cidadãos
portuenses divulgou ontem um manifesto e lançou um abaixo-assinado contra a
prevista construção da ponte pedonal em aço sobre o rio Douro, ao lado da Ponte
de D. Luís.
O grupo, denominado
Movimento Portus Cale, considera que a construção da ponte constitui um
"crime patrimonial" e afirma ser "indiscutível que qualquer
estrutura implantada a 11 metros da ponte de D. Luís irá perturbar gravemente
todo o campo visual da área consagrada como património mundial".
Um dos responsáveis do
movimento, o professor universitário Raul Pinheiro, afirmou à Lusa que o
objectivo é conseguir um número de assinaturas suficiente para que se instale
um debate no Porto e em Gaia sobre a questão, para que a ponte pedonal não se
construa no local apresentado.
"Esta é uma
iniciativa independente que pretende, acima de tudo, salvar a Ponte D. Luís,
impedindo a construção da ponte pedonal no local proposto, a 11 metros do
tabuleiro inferior", afirmou.
Para este movimento, a
referida localização não é adequada porque, além da questão estética e do
prejuízo patrimonial, "a Ponte D. Luís é um dos maiores símbolos do
Porto".
"Não se pode
intervir na zona precipitadamente", disse.
O movimento considera
esta travessia desnecessária, alegando que quem quiser atravessar a pé o rio
Douro naquele ponto, pode perfeitamente utilizar o tabuleiro inferior da D.
Luís, que se tem mostrado mais do que suficiente para o efeito". Sustenta
que o projecto constitui "um desperdício de recursos financeiros".
Os subscritores do
manifesto consideram que "uma ponte pedonal será bem-vinda, mas num local
em que seja realmente útil para os utilizadores".
O Movimento Portus Cale
propõe localizações alternativas, defendendo como ideal "uma ligação na zona
central da Ribeira, entre a Praça da Ribeira, no Porto, e a vulgarmente chamada
Praça da Sandeman, em Gaia".
Outra hipótese sugerida
levaria a ponte ainda mais para jusante, para junto da zona da igreja de S.
Francisco, o que permitiria - segundo afirmam - fechar um circuito em anel que
passasse pelas duas ribeiras, pela Ponte D. Luís e pela nova ponte, ligando a
projectada zona de lazer do Cais de Gaia à Ribeira do Porto e ao parque de
estacionamento da Alfândega.
Os signatários sublinham
que "a solução adoptada será irreversível e marcará definitivamente a
cidade, pelo que as duas autarquias devem aceitar pôr à discussão não só o
projecto apresentado, mas também a localização".
"A decisão a tomar terá de ser da responsabilidade de todos, deve ser colectivamente ponderada e não se contentar em ser apenas a obra de alguns", afirma-se no documento.
JN
Data:12-03-2001
Empresa municipal lança
a obra da ponte pedonal
"Gestão de Obras
Públicas da Câmara do Porto" avança, esta semana, com o concurso
internacional para a execução da travessia do Douro.
CARLA SOFIA LUZ
A ponte pedonal vai,
esta semana, a concurso internacional. A execução do projecto de Adão da
Fonseca, engenheiro que idealizou também a Ponte do Infante, está orçada em
cerca de 500 mil contos e será custeada pelas câmaras do Porto e de Gaia.
A travessia é a primeira
iniciativa da futura empresa intermunicipal das duas autarquias, que já tem
estatutos e nome registado: "PG -Portogaia, Desenvolvimento
Intermunicipal, EIM" (A Associação Empresarial de Portugal é o primeiro
parceiro que poderá deter capital social da empresa).
Contudo, enquanto não
está devidamente constituída, as obras que unem as margens do Douro avançam
pela mão da empresa municipal de "Gestão de Obras Públicas da Câmara
Municipal do Porto". E é esta firma que irá lançar, esta semana, o
concurso internacional para a construção da ponte.
"As câmaras de Gaia
e do Porto aprovaram um protocolo de cooperação, estabelecendo que seria a
empresa municipal de "Gestão de Obras Públicas" a lançar o concurso
público para a execução da ponte pedonal. Gostaria que a construção fosse
conduzida pela futura empresa intermunicipal", contou Nuno Cardoso,
presidente da autarquia portuense.
A ideia de travessia a
pé do Douro renasceu à mesa do pequeno-almoço, que reuniu Nuno Cardoso, Luís
Filipe Meneses e a comissária da "Porto 2001" Teresa Lago.
A Sociedade foi afastada
do processo, pois as câmaras pretendiam uma estrutura que pudesse conduzir a
ponte pedonal e outros projectos. A extinção da "Porto 2001" no
próximo ano inviabilizou a possível colaboração.
Junto a Luís I
O engenheiro Adão da
Fonseca começou a traçar a ponte e os presidentes das câmaras delinearam a
estratégia para constituição da "PG - Portogaia, Desenvolvimento
Intermunicipal, EIM". Com sugestão lançada há quase um ano, a ponte de aço
inoxidável, a erguer a cerca de 11 metros do tabuleiro inferior da ponte de
Luís I, avança, finalmente, este mês, após ter sido previsto o lançamento do
concurso no passado mês de Novembro. Foi necessário esperar pelo parecer do
Instituto Português do Património Arquitectónico.
JN
Data:30-11-2000
Uma ponte pedonal em polémica morna
Localização da nova obra de arte suscita
dúvidas
JORGE VILAS
Pioneiros na construção de pontes de ferro (a de Maria Pia, de Eiffel, foi a primeira), Porto e Gaia vão ter outra ligação entre as duas margens, sendo, deste vez, o aço inoxidável o material escolhido por Adão da Fonseca, o seu autor.
As reacções à apresentação desta nova ponte _ apenas pedonal _ não se fizeram esperar. Umas concordantes com o desenho e a localização; outras apenas com o desenho e francamente contra a sítio onde vai ficar.
Interferência
Colaborador regular do "Passeio Público" do JN, o arquitecto Manuel Correia Fernandes considera, por exemplo, que a localização é péssima: "Interfere com a ponte de Luís I e não resolve o problema das travessias do Douro, um tema que deveria ser aprofundadamente estudado antes de se optar por novas soluções".
Homem profundamente conhecedor da história do Porto, o jornalista Germano Silva aplaudiu, por seu turno, "o material escolhido e o desenho da nova ponte", mas, em contrapartida, teme que a proximidade à ponte Luís I "prejudique a visão desta obra de arte que faz parte, para o bem e para o mal, da imagem das duas cidades e das duas ribeiras".
Desconfortável
Manuel Fernandes de Sá, cujo projecto de requalificação da frente ribeirinha do Porto deverá arrancar brevemente, tem uma opinião diferente. "A nova ponte pedonal tem de ser encarada como uma proposta meramente política; depois não havia outra alternativa aquele lugar por ser o mais estreito, 160 metros".
....
JN
Data:23-11-2000
Arquitectos não gostam da obra
Uma ponte pedonal "colada" à ponte de Luís I está longe de ser um projecto aceite por todos.
Diversas personalidades contestaram a ideia e alguns arquitectos reiteraram, ao JN, as suas preocupações quanto à concretização de uma travessia que poderá colidir com a estrutura da centenária ponte de Luís I.
"É um erro do ponto de vista patrimonial e é desnecessária do ponto de vista funcional", diz Nuno Portas, criticando a construção de uma estrutura "com uma linguagem completamente diferente" da ponte Luís I e que estragará "toda a visão da sua geometria".
Nuno Portas argumenta que seria muito mais fácil e barato fazer uma "passerelle" ao nível do tabuleiro inferior, integrada na própria ponte Luís I.
Outra travessia justificar-se-ia na zona onde o rio estreita, entre as pontes de Luís I e da Arrábida.
"É uma solução que não favorece nada. Prejudica a imagem da ponte Luís I e fica demasiado próxima desta. Não constitui, por isso, uma mais valia de funcionamento da cidade e há alternativas mais evidentes e económicas, como o alargamento do tabuleiro inferior para peões",
....
2 de Novembro de 2000
Uma nova travessia do
tipo pedonal no rio Douro, deveria ser objecto de um concurso internacional,
dando assim a oportunidade a prestigiados
projectistas, apresentarem as suas propostas para essa obra, mas com
outra localização.
A cidade do Porto está
neste momento repleta de obras pouco consensuais e mal planificadas, para as
quais tem havido pouca participação dos seus habitantes.
António Vasconcelos (*)
As pontes do Porto tem
sido sempre no passado alvo de intensa intensa polémica. Foi o caso das pontes
S. João e do Infante. Agora por razões diferentes é a ponte pedonal, cujo
estudo prévio foi apresentado recentemente. Segundo noticias da Comunicação
Social, a sua construção ficaria a cargo de uma empresa intermunicipal, que
teria como accionistas as Autarquias do Porto e de Vila Nova de Gaia.
Segundo o autor do
projecto, esta nova ponte ficará encostada do lado jusante ao tabuleiro inferior
da ponte D. Luís e utilizará os pilares da antiga ponte pênsil. Apesar de ainda
não estarem disponíveis outros elementos que permitam uma apreciação mais
fundamentada, os dados existentes já são suficientes para poder dar uma
primeira opinião, aliás bastante
negativa. (È obvio que não me irei pronunciar sobre os aspectos técnicos da
obra, que devem ser julgados noutras instâncias).
O que se pretende com
uma nova travessia do tipo pedonal, é aproximar as duas margens do rio, entre
Porto e Gaia, na zona com maior interesse, ou seja entre o centro histórico da
Ribeira e as Caves do Vinho do Porto. Tal não acontece com o projecto actual,
pois estando prevista somente a 11 metros do tabuleiro inferior da ponte D.
Luís, limitar-se -á a duplicar o actual trajecto pedonal pela ponte D. Luís.
Assim não terá grande utilidade.
Mas o mais grave de
tudo, é o impacto visual muito negativo sobre a ponte D. Luís, numa zona muito
sensível que é Património Mundial, classificado pela Unesco (No exemplar de
Outubro da Revista "Porto Informação", da Câmara Municipal do Porto,
vem publicada uma fotomontagem do referido projecto, que mostra bem o que
acabamos de dizer). Teremos que evitar
o que acontece com a ponte Maria Pia, que ficará encurralada entre a ponte S.
João e a ponte do Infante, em construção. A ponte D. Luís é um dos mais
conhecidos "ex-libris" da cidade do Porto e não pode ser prejudicada
desta maneira tão grosseira. Foi inaugurada em 1886 e é um exemplar notável das
pontes metálicas do século XIX, tendo a originalidade de dispor de dois
tabuleiros. O projecto foi de Teófilo
Seyrig, que já tinha calculado a ponte
Maria Pia. O arco metálico da ponte D.
Luís impressiona pela sua robustez e
beleza e o seu estado de conservação é bastante bom, o que permitirá a adaptação
do tabuleiro superior á passagem das carruagens do Metro.
Também é perfeitamente
absurdo a reutilização dos dois pilares da antiga ponte pênsil, dado que são um
testemunho histórico da primeira ponte construída no Porto e deveriam ser
preservados.
A única valia positiva
do projecto desta nova ponte será o seu custo, pois o seu vão de 160 m, é um
dos menores que pode ser encontrado na travessia do Douro, na zona histórica
entre Porto e Gaia.
Além do mais, todo este
processo é pouco transparente. O objectivo de concluir esta nova ponte no
próximo ano, durante o "Porto Capital Europeia da Cultura", é
aparentemente a justificação para que o projecto seja adjudicado por ajuste
directo. Não concordo com este pressuposto, pois não há razões válidas que justifiquem esta urgência. A cidade do Porto
está neste momento repleta de obras pouco consensuais e mal planificadas, para
as quais tem havido pouca participação dos seus habitantes. (Basta ver os
protestos dos comerciantes, que se sentem muito prejudicados com a confusão das
obras na Baixa, todas em simultâneo). Considero também que a renovação da
cidade do Porto não se esgota em 2001.
Uma nova travessia do
tipo pedonal no rio Douro, deveria ser objecto de um concurso internacional,
dando assim a oportunidade a prestigiados
projectistas, apresentarem as suas propostas para essa obra, mas com
outra localização. Certamente iriam
aparecer soluções inovadoras, quer do ponto de vista arquitectónico,
quer do ponto de vista técnico, que valorizariam muito esta nova travessia. A
nova ponte deveria ter uma silhueta muito discreta, de forma a não prejudicar a
bela e pitoresca paisagem ribeirinha das duas margens do Douro.
Existem concerteza
outras localizações, que segundo o meu ponto de vista, deveriam satisfazer três
critérios fundamentais: prestar um bom serviço á população das duas margens do
rio, respeitar o ambiente histórico da cidade e ter um vão compatível com um
custo aceitável. Sendo assim, proponho uma travessia que se iniciaria em frente
da Igreja S. Francisco e terminaria no cruzamento da Av. Diogo Leite, com
a rua Afonso III, em Gaia. Apesar de
vir a ter um custo superior ao do
projecto actual (uma vez que o seu vão seria cerca de 65% superior), as suas
vantagens compensariam largamente este aumento de preço . O seu impacto visual
sobre a ponte D. Luís seria muito
reduzido e teria uma importante utilidade social. (provavelmente muito superior
á do futuro elevador dos Guindais, que
está orçamentado num milhão de contos !). Seria assim criado com vantagem um
circuito alternativo ao da ponte D. Luís e um miradouro lindíssimo sobre o rio
e suas margens.
Lanço daqui um apelo ás
Autarquias do Porto e Vila de Nova de Gaia, para ponderam este assunto, de modo
a suspenderem todo o processo e em
seguida lançarem um concurso publico. Além do mais, faço a pergunta: o que
pensará o IPPAR e a Unesco do projecto actual ?
(*) - Engenheiro,
Especialista em Transportes e Vias de Comunicação (Ordem dos Engenheiros)
23 de Outubro de 2.000
António Vasconcelos (*)
Não há nova ponte no
Porto que não seja objecto de intensa polémica. Agora é o caso da ponte
pedonal, cujo estudo prévio foi apresentado recentemente.
Segundo o autor do projecto, trata-se de uma ponte pedonal, à cota baixa, situada mesmo junto do tabuleiro inferior da ponte D. Luís e que utilizará os pilares da antiga ponte pênsil. Será construída em aço inoxidável, o que acontecerá pela primeira vez em Portugal.
No entanto ainda não
estão disponíveis outras
informações que permitam uma apreciação
mais fundamentada. Apesar disso, os dados existentes já são suficientes para
poder dar uma primeira opinião, aliás
bastante negativa.
A localização desta
ponte não me parece ser a mais correcta, por várias razões:
1-O facto de ser
construída quase encostada ao tabuleiro inferior da ponte D. Luís, (afastada
dela apenas 11 metros !), conduz a que esta nova ponte tenha pouca utilidade,
pois limitar-se -á a duplicar o actual trajecto pedonal pela ponte D. Luís.
2-A segunda razão é de
carácter paisagístico, pois a nova construção iria concerteza ter
um impacto visual muito
negativo sobre a ponte D. Luís, numa zona muito sensível que é Património
Mundial. A ponte D. Luís é um dos "ex-libris" da cidade e não pode ser
prejudicada desta maneira tão grosseira.
3-Também é perfeitamente
absurdo a reutilização dos dois pilares da antiga ponte pênsil, dado que são um
testemunho histórico da primeira ponte construída no Porto.
(...)
O objectivo de concluir
esta nova ponte no próximo ano, durante a Capital Europeia da Cultura, é
aparentemente a justificação para que o projecto seja adjudicado por ajuste
directo. Não concordo com este pressuposto, pois não há razões válidas que justifiquem esta urgência. A cidade do Porto
está repleta neste momento, de obras lançadas à pressa e o mundo não acaba em
2001.
Deveria ser lançado um
concurso internacional, dando assim a oportunidade a projectistas nacionais e
estrangeiros, para apresentarem as suas propostas para uma ponte de peões, com
outra localização. Certamente iriam
aparecer propostas inovadoras, quer do ponto de vista arquitectónico,
quer do ponto de vista técnico, que valorizariam muito esta nova travessia.
Penso que este assunto
deveria ser mais ponderado pelas Autarquias do Porto e Vila de Nova de Gaia,
evitando assim que um tema tão importante como este, para as duas cidades, seja
decidido nas costas dos cidadãos e dum modo tão apressado.
Concordo plenamente com os
anteprojectos anteriores, que previam a localização de uma ponte pedonal á cota
baixa, ligando as duas margens do Douro, entre o início do Parque de
estacionamento do Museu dos Transportes (em frente da Igreja S. Francisco) e o
Largo de Aljubarrota, em Vila Nova de
Gaia. Seria assim criado com vantagem um circuito alternativo ao da ponte D.
Luís e um miradouro lindíssimo sobre o rio e suas margens, que ligaria o centro
histórico do Porto ás Caves de Vinho do Porto.
Esta localização
respeitaria a ponte D. Luís , dado o seu afastamento. A nova ponte deveria ter o menor impacto visual possível, de
forma a não prejudicar a bela e pitoresca paisagem ribeirinha das duas margens
do Douro.
(*) - Engenheiro, membro
da Associação Internacional de Jornalistas Ferroviários
Nota - Acabo de receber
o exemplar de Outubro da Revista "Porto Informação", da Câmara
Municipal do Porto, na qual vem
publicada uma fotomontagem do referido projecto. É patente que descaracteriza
irremediavelmente a imagem da ponte D. Luís, confirmando assim tudo o que atrás
foi referido.
10 de Dezembro de 2000
Por ERNESTO ANTÓNIO
SILVA, Vila Nova de Gaia
Ponte pedonal encostada
à Ponte de D. Luís, para quê e para quem? Não existe "engarrafamento"
de peões no tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís, que, aliás, possui uns
passeios de largura razoável para a travessia de pessoas. Quem quiser naquele
ponto atravessar a pé, duma para a outra margem do rio, pode perfeitamente
utilizar a Ponte de D. Luís, cujos passeios podem eventualmente ser melhorados.
Existirão outras formas de aproveitamento com base no tabuleiro inferior, para
incentivar tripeiros, gaienses e turistas à travessia a pé.
Os problemas de
travessia entre as duas margens e as duas cidades são de tráfego rodoviário,
com a agravante de não existir alternativa para os transportes públicos e do
aumento do parque automóvel provocar as "stressantes" demoras e
engarrafamentos. Será que os presidentes das Câmaras do Porto e de Gaia pretendem
resolver o problema do tráfego rodoviário convidando as pessoas a diariamente
efectuar a travessia do rio a pé, faça chuva ou faça sol?
Por muito que se atenue,
ou disfarce, também é indiscutível que qualquer estrura implantada a jusante ou
a montante da Ponte de D. Luís, e à distância indicada, não deixará de
perturbar e alterar todo o campo visual da área consagrada como património
mundial. Estaremos perante mais uma obra de fachada (que até pode dar votos),
mas de mais que duvidosa utilidade.
Não haverá melhor forma
de aplicar os dinheiros públicos, venham eles dos Orçamentos do Estado ou
camarários (ambos com a mesma fonte, os bolsos dos contribuintes)? Porque não
gastam os dois autarcas energias a dar utilidade à Ponte de D. Maria, cuja
degradação é um escândalo?
Esta ideia-projecto da
ponte pedonal está ao mesmo nível dos "provincianismos" mais
recentes, das visitas guiadas aos buracos das obras, do "kit"
fotográfico para os recordar e da graxa para limpar os sapatos.
Data:13-09-2000
"Cooperação" de
aço entre o Porto e Gaia
Travessia pedonal do rio
Douro é o primeiro de vários projectos fruto de uma estratégia conjunta das
duas câmaras municipais
NUNO SILVA
O projecto de construção
de uma ponte pedonal para ligar as ribeiras do Porto e de Gaia foi, ontem,
divulgado pelos presidentes dos dois municípios, Nuno Cardoso e Luís Filipe
Meneses.
Após um encontro com
algumas personalidades da região para debater a ideia da nova travessia sobre o
rio Douro, os autarcas reiteraram, a uma só voz, o espírito de cooperação e
trabalho conjunto que está na génese da nova estrutura, bem como das que se
avizinham (ver peça à parte).
Nuno Cardoso considerou
a nova ponte "um marco na engenharia contemporânea" e adiantou que
poderá estar operacional já durante o Verão de 2001, até porque é um
"projecto realizável num curto prazo", e correspondente a um
investimento relativamente modesto, de cerca de 500 mil contos.
Os autarcas acreditam
que a travessia "poderá ser já um ex-libris da Capital Europeia da
Cultura".
Novos atravessamentos
Luís Filipe Meneses
revelou, também, que estão a ser desenvolvidos mais projectos comuns, de novos
atravessamentos para trânsito rodoviário, transportes públicos e peões, cujo
véu será levantado "na altura própria".
Filipe Meneses aproveitou,
entretanto, para salientar que a ideia da ponte pedonal "é de exclusiva
responsabilidade dos dois presidentes de Câmara aqui presentes, e surgiu ainda
não existia o Porto Capital da Cultura, e muito menos esta senhora comissária
(Teresa Lago)."
O "esclarecimento"
vem na sequência da explosiva entrevista de Teresa Lago ao semanário
"Expresso", dando conta que o projecto "surgiu na administração
da 2001."
Polémicas à parte, o
autor da nova travessia, o engenheiro Adão da Fonseca (um dos responsáveis pela
Ponte do Infante), referiu, ao JN, que a sua criação será um "verdadeiro
miradouro".
A estrutura, feita em
aço inoxidável, vai aproveitar os pilares da antiga ponte pênsil, sendo
colocada a uma distância de 11 metros do tabuleiro inferior da ponte de Luís I.
Tem 160 metros de comprimento e seis de largura.
Ponte pedonal vai ligar
Porto e Gaia
A PORTO-2001 quer
construir, até ao final do ano, uma travessia pedonal que ligue as zonas
ribeirinhas do Porto e Gaia, na que será a sexta ponte sobre o Douro entre as
duas cidades. Os dois municípios estão dispostos a repartir entre si os custos
da nova ponte, que recuperará o traçado da antiga Ponte das Barcas, desactivada
no século XIX após a construção da ponte D. Luís.
Ontem mesmo, Teresa Lago,
que preside à 2001, enviou aos presidentes das Câmaras do Porto e Gaia um
documento que resume as condições a que a parceria deverá obedecer e em que
sugere a máxima urgência no lançamento da obra. A travessia utilizará uma
estrutura leve e modular, talvez em inox, com elementos pré-fabricados que
serão montados, em poucas semanas, no local.
Este projecto permitirá
à Porto-2001 transformar o simbolismo do seu conceito «Pontes para o Futuro»
numa obra que ficará a perpetuar a Capital Europeia da Cultura. Esta
intervenção é a única da 2001 que extravasa a fronteira do Porto e surge depois
de os autarcas de Matosinhos e Gaia se terem insurgido contra o seu espírito
«portocêntrico».
Teresa Lago quer que a inauguração
ocorra antes do dia 13 de Janeiro, a data escolhida para início da Capital
Europeia da Cultura.
Data:13-04-2000
CARLA SOFIA LUZ
Travessia pedonal a unir Porto e
Gaia
Recriação da Ponte Pênsil foi a proposta da
"Porto 2001" que mais agradou aos autarcas das duas cidade
Atravessar o Douro a pé. Foi o que Teresa Lago,
presidente da Sociedade Porto 2001, sugeriu, ontem de manhã, ao pequeno almoço,
a Nuno Cardoso e a Luís Filipe Meneses. Em cima da mesa, estiveram duas
propostas de travessias pedonais a unir as margens do Porto e de Gaia.
Os autarcas renderam-se à recriação da Ponte
Pênsil, para qual há já um estudo do arquitecto Francisco Barata Fernandes. A
outra hipótese contemplava a construção de um passadiço exterior, acoplado ao
tabuleiro inferior da ponte de Luís I. Mas para já, nenhuma ideia está
excluída.
"A reunião serviu para transmitir a proposta
do Conselho de Administração da "Porto 2001" sobre a importância de
uma ligação pedonal entre as duas margens, que esteja a funcionar em 2001.
Ficou acordado que iremos, em breve, estabelecer um protocolo para definir a
forma como a ponte será implementada", referiu, ao JN, Teresa Lago. O
acordo está a ser preparado e será enviado às câmaras do Porto e de Gaia.
Câmaras pagam execução
O financiamento da proposta ficará a cargo das
autarquias, assim como a execução do estudo. De acordo com Luís Filipe Meneses,
as câmaras ficaram incumbidas de "fazer, em conjunto, um projecto de
travessia pedonal".
Uma tarefa que deverá ser encomendada a "técnicos
externos": "Se os custos estimados e não significativos se
confirmarem, a instalação da ponte poderá estar concluída ainda em 2000",
uma vez que se trata de um processo relativamente simples, acrescentou o
presidente gaiense. A reconstrução da ponte pênsil pode efectuar-se com o
aproveitamento dos pilares que ainda existem nas margens. Coloca-se a travessia
à cota do tabuleiro inferior da ponte de Luís I e evitam-se implicações
paisagísticas negativas e o prejuízo da navegabilidade do Douro.